
As entidades de apoio à população LGBTQIAPN+ divulgaram durante a tarde deste sábado (03), notas de repúdio à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela ocorrida na madrugada entre a última sexta-feira(02) e sábado(03).
Além dos grupos nacionais – que integram movimentos de diferentes Estados brasileiros – , algumas destas organizações lutam por direitos para o segmento LGBTQIA+ em toda a América Latina e manifestaram preocupação para a soberania não só da Venezuela, mas de outras nações como o Brasil, Colômbia, México e Cuba.
Nas redes sociais, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) manifestou solidariedade ao povo venezuelano e à comunidade LGBTQIA+ do país, em especial aos movimentos sociais LGBTQIA+ que lutam diariamente pela cidadania. “Reforçamos que a busca pela paz, o fortalecimento da diplomacia e o diálogo internacional são as melhores posições em tempos de crise. O multilateralismo é o caminho para a solução dos conflitos internacionais”, afirmou
Outra entidade que publicou nota nas redes sociais foi a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) a qual ressaltou que esse tipo de iniciativa “amplia tensões, agrava desigualdades, ameaça a paz internacional e reacende práticas de intervenção que historicamente impactam de forma grave os povos da América Latina e do Caribe”.
A Antra também manifestou sua solidariedade à população venezuelana e, em especial, à comunidade LGBTQIA+, mulheres, indígenas e pessoas trans do país, que tende a ser ainda mais vulnerabilizada em contextos de instabilidade política e conflitos armados. Além disso, lembrou que o Brasil, assim como suas riquezas naturais, sociais e estratégicas, e sua própria soberania, “também está sujeito a esse tipo de lógica imperialista”.
Já o Conselho Regional da Asociación Internacional de Lesbianas, Gays, Bisexuales, Trans e Intersex para la América Latina y el Caribe (ILGALAC) expressou, por meio de postagem, sua preocupação com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. “Chamamos a proteger a população civil e, em particular, a comunidade LGBTI+ perante a vulnerabilidade do contexto atual”, destacou.
Crise humanitária
A Iguais Associação também manifestou repúdio aos ataques dirigidos à Venezuela que, segundo a entidade “têm agravado a crise humanitária e provocado sofrimento, mortes, deslocamentos forçados e a violação sistemática de direitos humanos”.
Além disso, o presidente da associação, Dhell Félix, manifestou, na mesma nota, solidariedade às pessoas LGBT+ da Venezuela, que enfrentam vulnerabilidades ainda maiores em contextos de guerra e instabilidade.
Por outro lado, a Organização não governamental (ONG) Rede GayLatino, além de condenar as agressões militares do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela, declarou que este não é um “conflito” aleatório: “é um novo ataque do imperialismo que busca subjugar a vontade de um povo pela força e pelo terrorismo de Estado”.
Assim, a rede se posicionou contra a ofensiva e afirmou que não existe liberdade possível sob cerco militar.”Bombas e sanções não buscam a ‘democracia’; buscam o controle de recursos e a desestabilização de projetos políticos soberanos. A invasão militar é a expressão máxima do patriarcado, da dominação e do supremacismo que combatemos nas ruas”, ressalta o texto.
Confira as notas de repúdio da íntegra
- Iguais Associação
A IGUAIS Associação manifesta seu mais profundo repúdio aos ataques dirigidos à Venezuela, que têm agravado a crise humanitária e provocado sofrimento, mortes, deslocamentos forçados e a violação sistemática de direitos humanos.
Reafirmamos nossa solidariedade ao povo venezuelano, que mais uma vez paga o preço de conflitos políticos, econômicos e militares que atingem, de forma cruel, a vida cotidiana de milhões de pessoas.
Expressamos, de maneira especial, nossa solidariedade às pessoas LGBT+ da Venezuela, que enfrentam vulnerabilidades ainda maiores em contextos de guerra e instabilidade, sendo alvo de violência, discriminação, perseguições e da negação de direitos básicos.
Defendemos a paz, o diálogo, a autodeterminação dos povos e o respeito à dignidade humana. Nenhum conflito pode justificar a violação de direitos, o apagamento de existências e o sofrimento de populações inteiras.
Seguiremos denunciando toda forma de violência e reafirmando nosso compromisso com a vida, com os direitos humanos e com a defesa da população LGBT+, em qualquer lugar do mundo.
Dhell Félix
Presidente da IGUAIS Associação
- ABGLT
NOTA DE REPÚDIO À INVASÃO DOS EUA À VENEZUELA
A ABGLT assiste com grande preocupação e temor ao ataque covarde e vil à Venezuela, realizado e assumido pelo Governo dos Estados Unidos. Neste terceiro dia de 2026, uma notícia que abala a paz mundial e reacende o ímpeto imperialista norte-americano sobre a América Latina e o Caribe.
Defendemos a autodeterminação dos povos, onde o povo é soberano para decidir seu futuro. Nossa solidariedade ao povo venezuelano e à comunidade LGBTQIA+ do país irmão, em especial aos movimentos sociais LGBTQIA+ que lutam diariamente pela cidadania.
Reforçamos que a busca pela paz, o fortalecimento da diplomacia e o diálogo internacional são as melhores posições em tempos de crise. O multilateralismo é o caminho para a solução dos conflitos internacionais.
Convocamos todas as nossas afiliadas a tomar posição ao lado da paz, contra o imperialismo, a favor dos direitos humanos e da autodeterminação dos povos. Juntos e Juntas, podemos fazer a diferença e Lutar pela democracia.
- Antra
A ANTRA acompanha com extrema preocupação as notícias sobre a ação militar conduzida pelo governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. Em um cenário já marcado por múltiplas crises globais e guerras por interesses econômicos, esse tipo de iniciativa amplia tensões, agrava desigualdades, ameaça a paz internacional e reacende práticas de intervenção que historicamente impactam de forma grave os povos da América Latina e do Caribe.
Reafirmamos nossa defesa da autodeterminação dos povos e da soberania nacional da Venezuela enquanto nação. É fundamental que o futuro do país seja definido por seu próprio povo. Manifestamos nossa solidariedade à população venezuelana e, em especial, à comunidade LGBTQIA+, mulheres, indígenas e pessoas trans do país, que tende a ser ainda mais vulnerabilizada em contextos de instabilidade política e conflitos armados.
A ANTRA reforça que a construção da paz passa pelo fortalecimento da diplomacia, do diálogo internacional e do multilateralismo. Conclamamos os demais movimentos sociais e populares a se manifestarem e a seguirem atentos a essas movimentações, que colocam em risco o Sul Global como um todo.
O Brasil, assim como suas riquezas naturais, sociais e estratégicas, e sua própria soberania, também está sujeito a esse tipo de lógica imperialista. Não podemos esquecer que há poucos meses sofremos ataques diretos dos Estados Unidos que hoje são uma ameaça para o mundo.
Reiteramos nosso chamado à defesa da paz, dos direitos humanos e da soberania dos povos. Seguiremos acompanhando atentas os desdobramentos e prontas para defender a nossa democracia!
- ILGALAC
O Conselho Regional da ILGALAC expressa sua preocupação com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e o aumento de ameaças em países como Colômbia, México e Cuba.
Estas ações unilaterais violam a Carta da ONU e da OEA, rompem o compromisso da região como zona de paz e priorizam o saque dos recursos naturais sobre a soberania dos países e o bem-estar humano.
Chamamos a proteger a população civil e, em particular, a comunidade LGBTI+ perante a vulnerabilidade do contexto atual, reafirmando nossa defesa da soberania, a não intervenção estrangeira em assuntos internos e a solução de importação das crises e conflitos.
- Rede GayLatino
CONTRA A OFENSIVA IMPERIALISTA E PELA SOBERANIA DOS POVOS
A Rede GayLatino levanta sua voz com veemência para denunciar e condenar os atos de guerra perpetrados pelo governo dos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela. Não estamos testemunhando um “conflito” aleatório, mas sim um novo ataque do imperialismo que busca subjugar a vontade de um povo através do uso da força e do terrorismo de Estado.
Como um movimento social de resistência pela libertação e dignidade, entendemos que não há liberdade possível sob cerco militar. Bombas e sanções não buscam a “democracia”; buscam o controle de recursos e a desestabilização de projetos políticos que não se alinham aos interesses das corporações belicistas e genocidas do Norte Global. A invasão militar é a expressão máxima do patriarcado, da dominação e do supremacismo, contra os quais lutamos tão arduamente em nossas ruas.
NENHUMA GUERRA PARA NOS DESTRUIR,NENHUM IMPÉRIO PARA NOS GOVERNAR!
ABYA YALA, TERRITÓRIO DE RESISTÊNCIA, ORGULHO E SOBERANIA.